Mato porque te amo – EPISÓDIO 1
por Petrus em jun.23, 2009, em Folhetins
Eu, em minha solidão, vejo através da janela de minha residência esse cenário presenteado pela natureza. Como o crepúsculo é belo! Olho e lembro-me dos meus tempos de eu menina. Lembro da claridade que a infância representava. Lembro dos últimos raios. Lembro da escuridão que foi instaurada.
Matem-me e amarrem-me. Prenda-me em celas sombrias onde jamais possa sentir o calor humano, o cheiro de podridão que emana dos corpos que eu deixei durante a minha vida. Apenas um puro ato reflexo dos meus momentos de busca. De loucura. De ciúme.
Odeio esta vida que não me pertence e este corpo que não condiz com a minha alma. Estou farta desta existência medíocre em que propriamente aprisionei. Presa nesta condição de assassina. Presa nessas quatro paredes erguidas pela consciência pesada. Servir a morte para alcançar o que eu desejava! O amor! Me fez seguir esse caminho para que no final cortasse as minhas asas! Agora, meu amor, só faço relembrar o meu passado manchado em sangue, enquanto eu bebo esse Martini misturado com uma 51.
Eu me lembro de uma manhã de janeiro, há 25 anos, quando eu tinha os meus seis anos de idade. Meus dedos, como era de costume, dançavam sobre as teclas do piano da sala. A melodia ainda rebate em minha memória. Porém, a habilidade se esvaiu com o tempo. Não consigo mais tocar como antigamente. Não consigo tocar como naquela manhã de janeiro.
A música enchia a casa e ia além das janelas. Eu imaginava os vizinhos ouvindo, maravilhados, a minha música. Eu fechava os olhos e sentia orgulho da minha habilidade. Um sorriso era notável em minha face. Durante o ritmo, pensava em minha vida. Pensava na minha família. O ritmo me levava a pensar em coisas boas. Suspirava com vontade aquele ar que foi abençoado pela presença da música. Sentia orgulho dos meus dedos. Meus pais sentiam orgulho, eu acho.
Lembro-me que algo interrompeu aquela melodia. Um barulho, vindo em algum ponto da casa, me interrompeu. Parei para ouvir. Eram gritos. A porta foi aberta com veemência e por ela entraram meu pai e minha mãe. Meu pai bradava com vigor e a minha mãe balançava uma panela em uma das mãos. Eu via a tudo sem entender. Porque eles estavam brigando? Nunca soube do motivo. Só sei que meu pai irrompeu pela porta sem me olhar. O fulgor dos raios do sol vindos do exterior me ofuscou e não consegui vê pela última vez a face do meu pai.
NOTA
Após anos notei que não haveria como vê
a sua face pela última vez. Ele protegia o rosto
para que a panela, desferida pela minha mãe,
não o atingisse.
Após aquele dia, com absoluta sinceridade, tentei ser otimista a respeito da situação. Meu pai não estava em casa para pagar as despesas nem mesmo pagava a pensão. Minha mãe até hoje o chama de covarde, mesmo não sabendo o que aconteceu com ele. Não sabemos onde ele está e nem muito menos o que aconteceu com ele. Só sei que o resto da minha infância somada a minha adolescência seria sofredor. Os detalhes eu direi com o passar da narrativa ligando os pontos da minha infância com os da minha vida adulta.
Minha vida adulta… Quando é que começou? Será quando peguei meu primeiro trabalho como manicure ou quando eu conheci a paixão da minha vida? Minha paixão… Não me lembro ao certo quando o conheci. Só sei que o meu casamento foi lindo…
junho 23rd, 2009 on 19:48
Na moral, tá massinha!
Eu fiquei curioso para saber o que aconteceu com ela e no que isso vai influenciar no futuro (no caso, presente) dela
Dá uma intensificada na divulgação… dá para fazer sucesso!
setembro 17th, 2009 on 21:11
adorei, tem tudo pra ser boa 8DD